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Machu Picchu Maravilhas do Mundo
Ollantaytambo - Encravada no alto dos Andes e protegida por uma vegetação apertada, foi um dos segredos mais bem guardados da história. Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, ficou oculta pela selva até 1911, ano oficial de sua descoberta pelo explorador inglês Hiram Bingham. Hoje, ela é ponto de encontro de outro tipo de aventureiro: gente que chega do mundo inteiro para percorrer as trilhas do que se conhece como Camino Inca ("Trilha Inca"). São dois a quatro dias de marcha, dependendo do trajeto escolhido. Em qualquer caso, são paisagens deslumbrantes e caminhadas exigidas. Menos de 50 quilômetros, uns 6 mil degraus que unem o Valle Sagrado com o cume da Montanha Velha - é isso que Machu Picchu significa em quíchua; ninguém sabe qual foi o nome da cidade em tempos incaicos. Uma trilha especial, que tem a virtude de oferecer aventura, paisagens, cultura, história, natureza e mística.
Para quem decidir encarar, é bom destinar um tempo à preparação da viagem. A primeira coisa é reservar, com bastante antecedência, junto a uma agência autorizada a levar passageiros no caminho: a área é protegida e há limites rígidos no número diário de visitantes. Por isso, se decidir comprar o pacote em Cusco, o que pode ser mais barato, existe o risco de não conseguir vaga e ter de se esperar vários dias antes de poder partir.
As condições de marcha não são extremas, mas exigem uma condição física mínima e certo equipamento. É importante escolher um bom tênis (melhor se for do tipo botinha, que segure o calcanhar, e evite estreá-lo na viagem), uma mochila adequada (que tenha cinto e armação, para distribuir bem o peso) e as roupas certas. Uma loja especializada em trekking poderá orientar sobre meias, calças e camisetas. O desejável é ter roupas leves para o calor, bom agasalho (sobretudo para a noite: esfria bastante e se custa a dormir), proteção contra a chuva. Isso tudo numa mochila pequena e pouco pesada. Além das roupas, um saco de dormir (vale insistir: faz frio à noite, muito frio), lanterna, proteção contra mosquitos, protetor solar, chapéu, alguns remédios básicos. Dois ou três dias em Cusco ajudam o corpo a se acostumar com a altura.
As opções de pacotes são várias. Com o preço, mudam as comodidades oferecidas, mas sempre num espectro limitado. Podem ser tendas mais ou menos espaçosas e comida um pouco mais elaborada, mas os banheiros irão ser precários em qualquer caso, e a comida será sempre simples: boa, abundante, mas sem pretensões. Se cada um carrega a própria mochila com roupas, saco de dormir e apetrechos essenciais, ficam por conta dos carregadores comida, água, barracos, gás para cozinha, fogão, remédios e oxigênio. O limite que eles estão autorizados a carregar é de 25 quilos. O seu próprio limite você irá determinar, mas existe uma medida prática que recomenda não ultrapassar o peso equivalente a 10% do próprio peso. Não é regra rígida, é claro, mas o que pode parecer pouco testando a mochila em casa, pode vir a se transformar num pesadelo marchando escada acima a 4 mil metros sobre o nível do mar. Não há chuveiro e as instalações são precárias - mas tenha certeza: as paisagens a descobrir no segundo e no terceiro dias justificam o incômodo.
Na opção de quatro dias, a Trilha Inca começa pouco depois de Ollantaytambo, no Valle Sagrado, a três horas de ônibus de Cusco. O primeiro dia de caminhada, acompanhando o rio sagrado Urubamba, serve de aperitivo para o que está por vir: as paisagens que mudam a cada curva, o convívio com caminhantes de todas as cores e línguas, o ritmo ágil dos carregadores. Na beira do caminho estão as vendedoras de chicha, a cerveja de milho. A saber: a morada não tem álcool e é doce.
Já a branca, a chicha de jora, tem 2% e um gosto ácido e refrescante, mas talvez não seja uma boa ideia experimentá-la no início de um percurso que, vale lembrar, tem banheiros muito precários. Uma indisposição pode ser bem desagradável. E, claro, você irá encontrar as primeiras ruínas: o tambo (pousada incaica) de Llactapata. São poucas horas de caminhada e o dia acaba num jantar simples, à luz do farol, com a expectativa do que será o mais duro desafio: atingir os 4,2 mil metros, o ponto mais alto do caminho. Dorme-se pouco e com frio no barraco, e acorda-se cedo com mate de coca quente com açúcar, que o corpo agradece.
Entre os conhecedores fala-se do segundo dia de caminhada com tom de respeito: a maior parte da trilha é ascendente e há quem precise de oxigênio na subida mais íngreme, a que acaba em Warmiwañuscca, o Passo da Mulher Morta, 4,2 mil acima do nível do mar. Lá do alto, quem já chegou recupera o fôlego observando, com um certo sadismo, aqueles que ainda lutam com os altos degraus de pedra, miraculosamente conservados após 500 anos.
Mais uma noite de frio e pouco sono para o terceiro dia, que começará com a promessa de uma caminhada mais leve e as ruínas de Sayacmarca, Qonchamarca, Puyupatamarca, Intipata e Wiñaywayna. Com o desafio físico vencido e Machu Picchu mais próximo, o astral dos caminhantes volta-se mais para a peregrinação. Atravessam-se túneis, anda-se nas profundezas da selva, entre flores e orquídeas e pássaros majestosos no alto das montanhas nevadas. Dá-se de cara com o que fora um templo ou uma residência. A atmosfera ganha um ar místico.
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